Um tapa na cara do status Quo!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Sentimento Digital




Eu sou um ciborgue
Um arquivo desordenado
Cada movimento meu é regulado
Eu sou um boneco
Um Pária sem endereço
Pague e eu me ofereço
Tenho consciência artificial
E o sentimento digital
Dite o Ritmo
No trabalho sincronizado
Sou acorde condicionado
E vínculo desalmado
E tenha um bom dia!
Eu sou a audiência
Do jornal nacional
Rumino a versão imparcial
Sou a paráfrase  virtual
O descarte intencional
Durmo acordado
Anseio arruinado
Arejo minha cela
Grudado na tela
Um viva para a mídia!
Sou um jovem Fútil
Falho intelectual
Da inerte classe média
Posta na rédea
Aperte meu cabresto
E aponte meu posto

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

“White Light, White Heat e White Trash” -Social Distortion







Bem, como havia prometido dias atrás, vou fazer a resenha dos 10 discos de Punk Rock que estão em minha prateleira na seção “tenha ou Morra”. Mais uma vez não estou nem aí sobre o que você acha que é Punk ou não. Foram discos marcantes para mim, e como bom egoísta que sou, só a minha opinião é que conta nesse espaço entendeu?Eu resolvi começar com uma banda clássica, com mais de trinta anos de estrada e que vai lançar disco novo já no início do ano que vem: Social Distortion. Apreciem a dica. Acho que vou deixar link pra download.

“White Light, White Heat e White Trash” representou o meu primeiro contato com a banda, a exatos 4 anos atrás. Recordo-me que foi algo surpreendente, já que na época eu buscava algo mais melódico e que ultrapassasse a casa dos 3 minutos.  Foi um choque quando ouvi os primeiros acordes de “Dear lover”. A casa foi abaixo nesse dia. Lembra country, lembra Cash, lembra o verdadeiro blues dos guetos dos EUA, sem deixar de ser simples, o que demonstra a capacidade de se misturar influências e outros estilos em um modo de fazer música tão injustiçada por ser muitas vezes rotulada como algo limitado ou repetitivo. Acho que a melhor música não é aquela que o artista tem um doutorado em música, mas aquela que mesmo que os músicos não tenham o curso completo, conseguem abalar as estruturas das pessoas com aquilo que berram em seu barulho. Mas, Mike Ness e sua trupe tocam muito! E tocam Punk Rock! Não é preciso ser um músico de heavy metal para se fazer algo bom. Em relação ao disco, temos letras muito boas. Não se assuste se você encontrar frases do tipo “Isso não é nada garota, até que você tenha sentido a dor” ou “amor e morte não significam nada”. O teor do que a banda escreve beira a melancolia e o mais profundo sofrer, seja por amor, seja pelo ódio que existe intenso na relação entre as pessoas em seus cotidianos medíocres de afazeres repetitivos e deprimentes. E diferente desse amor plástico que se vê nos dias de hoje em bandas de mentalidade atrofiada, vejo nesse álbum e nesse artista um das poucas tentativas de se falar sobre amor que deram certo. EMO? São sentimentalistas demais, como já escutei em minhas andanças por aí... Penso que falam de amor, mas ao mesmo tempo conseguem fazer o seu protesto abarcando o social. Por acaso o amor é um sentimento inexistente na vida das pessoas? Ele pode até estar sumido e sofrendo falência múltipla dos órgãos, mas ele insiste e sobrevive em alguns, nunca morrendo de fato. E se mesmo assim você ainda não acredita que existe crítica social em uma música assim? Escuta “Down Here” (With The Rest Of Us) e veja o quanto você está errado. Entre outras faixas que merecem destaque escute a belíssima Crown Of Thorns e o perceba como é rico falar de sentimentos, sem o uso patético de clichês ou desse colorido berrante jogado por essa fábrica de lixo tóxico que é a TV. “I Was Wrong” e “When The Angels Sing” tiveram seus vídeo clips feitos e trabalham em cima do homem e o que este considera como certo ou errado. Tais impressões que tive fazem de “White Light, White Heat e White Trash” um clássico dos anos 90(pelo menos pra mim). Que tal buscar se encontrar em um disco assim do que cair em uma tempestade de purpurina que não diz nada sobre você mesmo para variar? Ou será que você sabe que é tão ruim por dentro que tem até medo do que pode encontrar? De qualquer forma fica a dica. Aprecie o melhor da old school do Punk e, ao invés de desconstruir tudo, que tal se identificar e acreditar em alguma coisa?

Link para Download:  http://www.4shared.com/file/rjQObkXE/Social_Distortion__White_Light.htm

 


Estado Vegetativo



No melhor calvário cristão
Adaptado ao diário sermão
Obedece até a exaustão
É ladrão de clichê e bordão
Não gaste mais conselhos
Apenas desligue os aparelhos
Brado nulo
E clamor incrédulo
Diz estar ativo
Mas seu estado é vegetativo
Atento a menor distração
Melhor no papel de figuração
Indicado pra consagração
De ser só mais um em um milhão
Volte a posição fetal
E cante sua parte no coral
Até pulsa no carma
Mas permanece em coma
Não há trato paliativo
Seu estado é vegetativo
Ao seguir a programação
Pôde fugir da provação
Feliz por sofrer poda
E Enfatizar o que é moda
Vai repetir sem rasura
Como uma adestrada criatura...
Poço de candura
Em torpe ternura
Suspendam o sedativo
Seu estado é vegetativo

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Decair




Pra onde foi o santo homem
E seu discurso sobre o amor?
Parece estar tão abatido
Tão sem respostas quanto eu
E a amada esperança morre no final
Tola ilusão que bagunça o meu caos
A força que me faz levantar
É molestada pela minha própria mente
Eu sou a vontade da rotina
Um mero investimento vivo
Assista eu decair
Sobre o lixo que ajudei a construir
Assista eu decair
Sobre tudo que eu resolvi seguir
Acho que ele nunca soube
Onde tudo isso iria dar
Um inferno sobre a terra
E o paraíso a queimar
Onde os irmãos só se levantam para brigar
E famílias dão bons soldados
Humanos debatem cínicos
De seus ducados de mentira
Os rumos para um novo mundo
Em que armas falam por mim
Onde está o santo homem
Com o tratado de paz?
Parece bem desiludido
Com suas palavras
Sua parábola é incapaz
De dar um norte a alguém...

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Devaneio de estação



Eu não queria mais sondar
Mas ainda vejo o borrão
Com a vergonha a clarear
Maldisse o meu coração...
Queria fazer você ficar
 E lhe apontar a direção
Montar contigo um novo lar
Fugir do mundo em depressão
Foi um devaneio de estação
A querela acabou
Já é o fim do verão
Vou ficar com o que sobrou
Dos dias que não mais voltarão
Dormi sem querer acordar
Sonhei com sua assombração
Difícil é se contentar
Com o que resta de recordação
Nunca aceitei tal condição...


Ansiedade




É a composição da comédia
Na fúnebre tragédia
Está em tua rala cortesia
E adorna tua fantasia
Teus logros sentimentais
Rodam em cenas repetidas
De correria convulsiva
E irritação compulsiva
Nervoso ao tombar
Receoso ao acordar
Na gula por obter
Vai bater e correr
Recorrente mal estar
Que não poderá conter
Alicerce da sociedade
Ansiedade...
Resista se puder!
Em noites de insônia
E Alaridos em sintonia
Ela repercute
Regendo tua sinfonia
Na tua busca por ouro
Lhe trouxe falência
Na doença foi o louro
Das extravagâncias
Na pressa pra se livrar
Não perde por esperar
Ela vai te abater
Sem se conter
Impossível expressar
Tamanho pesar
Na base da cidade
Ansiedade...
Reprima se puder!
No amanhã de redenção
Tentará em vão
A mentira comum
É o teu diário desjejum!
Ao pagar a conta
Sobre a pena do poeta
Na mulher discreta
Na reta conduta
Quando pulsam
Todos se curvam
Diante da ansiedade...