Um tapa na cara do status Quo!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Abutres



Pegue quando ninguém ver
Sonegue se puder convencer
Treine a abordagem
Deixe a mensagem
Pra tirar vantagem
Na menor bobagem
Somos abutres
Corja de trastes
Corrompidos como o ventre
Que nos nutre
Crime passional
Fraude consensual
Fico bem com o seu mal
Tão cordial!
Tapear é a valia
De uma competição sadia?
Somos abutres
Garras do desastre
Implantam a miragem
E devoram a pilhagem...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Os 10 melhores discos de Punk Rock que considero-Indestructible




Como versa a faixa Fall Back Down o Rancid necessitava fazer de uma "coisa ruim uma coisa boa". O ano de 2003 trouxe para a banda alguns problemas. Tim Armstrong assinava o pedido de divórcio de Brody Dalle, a banda sofria com acusações de "vendida" pelo contrato com uma major (o famigerado contrato de distribuição com a warner) e outras querelas colocaram a banda numa seara de associações e situações desagradáveis. Mas com a gravação de Indestructible, o Rancid mostra que independente de qualquer tipo de atrito e duvida, sabem tirar um bom som e proveito das situações, por pior que pareçam. Eles começam acertando no encarte. Ótimos comentários sobre as canções, onde eles não se abstém de falar o que inspirou o trabalho.(Apesar de que inúmeras referências a separação de Armstrong poderiam ser encontradas rapidamente, mesmo sem as informações.). Tanto se fala no aclamado "And Out Come The Wolves" como obra prima da banda, mas este que vos escreve acredita que pela linearidade na qualidade de suas faixas e pelo conteúdo de suas letras este é o melhor trabalho do Rancid, por mesclar em si todas as influências da banda da melhor forma possível. Hardcore, ska, baladas pop e até coisas de rap, são encontradas no decorrer do disco. A faixa Red Hot Moon, um dos singles, teve participação do rap de Skinhead Hob dos transplants.  O vocal melancólico de Armstrong e as composições são um atrativo a parte. Não acredita? escute Start now e se apaixone pelos refrões, riffs grudentos e pela mensagem de paz apontada na canção. Armstrong mostra que é um excelente vocalista de estúdio e que o fim do casamento lhe concedeu grande criatividade. Além disso, cabe destacar  a já aclamada execução do trabalho de Matt Freeman nas linhas de baixo, sobretudo na já citada "Fall Back Down", onde ele mostra porque é considerado um dos maiores baixistas punk em atividade, sem grandes rivais a altura. Seu vocal fez muita falta nesse registro. Lars merece o crédito por trazer referências de sua experiência com os bastards, evidentes na crua faixa "David Courtney".
A banda aproveitou para abusar de elementos musicais de apoio como teclados, sopros e backings convidados. O teclado ska de Tropical London é um exemplo de como a banda soube aproveitar novos artifícios sem perder a pegada que os consagra. Django, Ivory Coast, Out of Control e Otherside, são as canções mais diretas, de harmonia Ramônica e cadência street punk pra tirar qualquer desavisado do marasmo. A grande surpresa, fica em torno de "Arrested in Shangai", uma balada com um excelente teclado ska e um toque oriental na musicalidade. Talvez o ponto baixo, a faixa menos boa por assim dizer seja a "Memphis", cantada como um rap lamuriento e absurdamente pop que lembra os transplants. Felizmente, Ghost Band vem em seguida com um combo feliz que traz em seu bojo um harmonia rock 'n' roll maluca na guitarra e os vocais meio fantasmagóricos de Tim, e rapidamente o gás perdido é recuperado. A melhor música do registro fica com a explosão suja e a ótima crítica ao estilo de vida inerente ao capitalismo selvagem presente em "Born Frustrated". É imperdível!
Enfim, sobre esse registro ressalto que muito embora tenha tido uma aceitação positiva, a meu ver, ainda aparece como um trabalho subestimado por fãs e críticos de música. É uma obra prima, ainda mais se formos avaliar como estão minando com a criatividade, o peso e o caráter destrutivo, corrosivo e crítico do rock de uma maneira geral nos dias de hoje. Desejo vida longa ao Rancid!   
Ficha Técnica:

   

Indestructible
Álbum de estúdio de Rancid
Lançamento
19 de Agosto de 2003
Gravação
2002 - 2003
Gênero(s)
Punk rock
Duração
51:24
Formato(s)
CD - LP
Gravadora(s)
Hellcat Records
Epitaph Records
Produção
Brett Gurewitz





·  "Indestructible" – 1:36

·  "Fall Back Down" – 3:43

·  "Red Hot Moon" (Armstrong/Aston/Frederiksen/Reed) – 3:36

·  "David Courtney" – 2:44

·  "Start Now" – 3:05

·  "Out of Control" – 1:41

·  "Django" (Armstrong) – 2:25

·  "Arrested in Shanghai" – 4:11

·  "Travis Bickle" – 2:16

·  "Memphis" – 3:25

·  "Spirit of '87" (Armstrong/Carlock/Frederiksen) – 3:22

·  "Ghost Band" – 1:37

·  "Tropical London" – 3:01

·  "Roadblock" (Armstrong/Frederiksen/Reed) – 1:58

·  "Born Frustrated" – 2:56

·  "Back Up Against the Wall" – 3:20

·  "Ivory Coast" – 2:19

·  "Stand Your Ground" – 3:24

·  "Otherside" – 1:52

Incompatível




Um arranjo torto
Frágil e Perecível
Sou causa de infarto
E peça incompatível
Sabe que estou perto e ainda assim
Tenta me afastar de mim
Em defeito
Me acerto
Com tanto impacto
Desfigurei meu aspecto
Ainda que intacto
Estou farto
Câmbio, desligo e desconecto
Relevar
Decadência não passou de raspão
Resetar
Sangramos mesmo sem nenhum arranhão
Sou como um nódulo
Na língua do crédulo
Que perde o tato
Para encarar os fatos
No curto circuito
O Furor é súbito
Pra todos os efeitos
Apague o transcrito
Sou filho pródigo
Indiferente ao ego
Sem pré requisitos
Tratos são desfeitos
Deletar
Se não avança, você se esvai
Começar
Como uma barricada que nunca se retrai

Sentimento Digital




Eu sou um ciborgue
Um arquivo desordenado
Cada movimento meu é regulado
Eu sou um boneco
Um Pária sem endereço
Pague e eu me ofereço
Tenho consciência artificial
E o sentimento digital
Dite o Ritmo
No trabalho sincronizado
Sou acorde condicionado
E vínculo desalmado
E tenha um bom dia!
Eu sou a audiência
Do jornal nacional
Rumino a versão imparcial
Sou a paráfrase  virtual
O descarte intencional
Durmo acordado
Anseio arruinado
Arejo minha cela
Grudado na tela
Um viva para a mídia!
Sou um jovem Fútil
Falho intelectual
Da inerte classe média
Posta na rédea
Aperte meu cabresto
E aponte meu posto

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

“White Light, White Heat e White Trash” -Social Distortion







Bem, como havia prometido dias atrás, vou fazer a resenha dos 10 discos de Punk Rock que estão em minha prateleira na seção “tenha ou Morra”. Mais uma vez não estou nem aí sobre o que você acha que é Punk ou não. Foram discos marcantes para mim, e como bom egoísta que sou, só a minha opinião é que conta nesse espaço entendeu?Eu resolvi começar com uma banda clássica, com mais de trinta anos de estrada e que vai lançar disco novo já no início do ano que vem: Social Distortion. Apreciem a dica. Acho que vou deixar link pra download.

“White Light, White Heat e White Trash” representou o meu primeiro contato com a banda, a exatos 4 anos atrás. Recordo-me que foi algo surpreendente, já que na época eu buscava algo mais melódico e que ultrapassasse a casa dos 3 minutos.  Foi um choque quando ouvi os primeiros acordes de “Dear lover”. A casa foi abaixo nesse dia. Lembra country, lembra Cash, lembra o verdadeiro blues dos guetos dos EUA, sem deixar de ser simples, o que demonstra a capacidade de se misturar influências e outros estilos em um modo de fazer música tão injustiçada por ser muitas vezes rotulada como algo limitado ou repetitivo. Acho que a melhor música não é aquela que o artista tem um doutorado em música, mas aquela que mesmo que os músicos não tenham o curso completo, conseguem abalar as estruturas das pessoas com aquilo que berram em seu barulho. Mas, Mike Ness e sua trupe tocam muito! E tocam Punk Rock! Não é preciso ser um músico de heavy metal para se fazer algo bom. Em relação ao disco, temos letras muito boas. Não se assuste se você encontrar frases do tipo “Isso não é nada garota, até que você tenha sentido a dor” ou “amor e morte não significam nada”. O teor do que a banda escreve beira a melancolia e o mais profundo sofrer, seja por amor, seja pelo ódio que existe intenso na relação entre as pessoas em seus cotidianos medíocres de afazeres repetitivos e deprimentes. E diferente desse amor plástico que se vê nos dias de hoje em bandas de mentalidade atrofiada, vejo nesse álbum e nesse artista um das poucas tentativas de se falar sobre amor que deram certo. EMO? São sentimentalistas demais, como já escutei em minhas andanças por aí... Penso que falam de amor, mas ao mesmo tempo conseguem fazer o seu protesto abarcando o social. Por acaso o amor é um sentimento inexistente na vida das pessoas? Ele pode até estar sumido e sofrendo falência múltipla dos órgãos, mas ele insiste e sobrevive em alguns, nunca morrendo de fato. E se mesmo assim você ainda não acredita que existe crítica social em uma música assim? Escuta “Down Here” (With The Rest Of Us) e veja o quanto você está errado. Entre outras faixas que merecem destaque escute a belíssima Crown Of Thorns e o perceba como é rico falar de sentimentos, sem o uso patético de clichês ou desse colorido berrante jogado por essa fábrica de lixo tóxico que é a TV. “I Was Wrong” e “When The Angels Sing” tiveram seus vídeo clips feitos e trabalham em cima do homem e o que este considera como certo ou errado. Tais impressões que tive fazem de “White Light, White Heat e White Trash” um clássico dos anos 90(pelo menos pra mim). Que tal buscar se encontrar em um disco assim do que cair em uma tempestade de purpurina que não diz nada sobre você mesmo para variar? Ou será que você sabe que é tão ruim por dentro que tem até medo do que pode encontrar? De qualquer forma fica a dica. Aprecie o melhor da old school do Punk e, ao invés de desconstruir tudo, que tal se identificar e acreditar em alguma coisa?

Link para Download:  http://www.4shared.com/file/rjQObkXE/Social_Distortion__White_Light.htm