Um tapa na cara do status Quo!

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Fantoche




Marche seu paspalho
Seja como um boneco!
Um escravo instruído
Sem resmungos incontidos
De atos coreografados
E espaços demarcados
No tempo cronometrado
És livre amordaçado!
Como um bom cão
Que lambe sua chaga purulenta
Endoidece quando são
Em sua jaula fedorenta
Ainda quando parece ardil
Soa como o pior imbecil
A sapatear no picadeiro
Entretendo trapaceiros!
Pavimente a estrada
Para outros irem ao paraíso
Com sangue, suor
E o que for preciso
Sendo funcional
Mesmo no improviso
Em tom de deboche
Dance, fantoche!
És teu o holofote
Salte, fantoche!

sábado, 27 de agosto de 2016

Lutando Comigo Mesmo






Calcei as luvas e fui a luta
Mas logo beijei a lona
Fui vencido por minha sombra
Ela tinha mais fibra
Por mais que eu disfarce
Ou finja interesse
Sem rumo perambulo
Para fora do meu alcance
Toco meu rosto encardido
E me arrasto para baixo
Balançando meus pedaços
Pelo desconhecido...
Procurando a quem culpar
Andei sem sair do lugar
Afundo no pesar movediço
Me sinto preso a um feitiço...
Atado a uma mente incompatível
Eu sou um ato falho
E de uma colcha de retalhos
Maturo um inimigo infalível
Que dança sobre meus destroços
Rindo de meus esforços
Olhando no meu olho
Quando estou no espelho
Lutando comigo mesmo

sexta-feira, 22 de abril de 2016

O Rosto de Deus





Então já viu rosto de Deus
Borrado naquele muro
Cambaleando na cidade
Caído num beco escuro?
Enquanto vomita salmos
Para acalmar ânimos
Lá vai Cristo desdentado
Como um pobre anônimo
Eu vi Maria
De relance
vendendo o corpo
Pra comprar seu lance-(perfume)
João enrola
Com muito cuidado
O matinho verde
De seu baseado
Os doutores da lei
Pedem por paz
Mas apoiam a causa
De Barrabás
Crentes dizem ser
Milícia de Moisés
Mas tem como ás
As mil tramas de Satanás
Entre anjos espatifados
E Justos condenados
Bandidos são condecorados
E heróis sentenciados...

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Não Tenha Fé Em Mim




Já viu uma mentira repetida
Virar verdade velada?
Foi traída num golpe de vista
No jogo limpo de um vigarista
Não tenha fé em mim
É bom que seja assim
Sou a voz amável
No pior cenário possível
Me expresso por juras rachadas
E emoções despedaçadas
Destilo um papo frívolo
E brilho como ouro de tolo
Não tenha fé em mim
Não sou um querubim
Deixei cair minha máscara
Esculpida em carrara