Um tapa na cara do status Quo!

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Meu amigo secreto


Caro amigo secreto
Eu tenho um segredo
Não tente esconder o rosto
E mascarar seu gesto
De apontar o dedo e julgar
Munido de juízos de valor
Ela não é brinquedo em seu lar
Nem joguete em seu jogo de azar
Você não sabe como é
Fugir de assédio a pé
Não tem seu corpo reprimido
Nem seu útero invadido
Suma com seus desejos perversos
E galanteios asquerosos
Saiba que não é indolor
O encontro com os espinhos de uma flor
Não pense que barba e bigode
Poesia e acordes
Escondem tua peçonha
E te livram da vergonha
Nem freira nem puta
Para além de força bruta
Ela pode escolher
Ressona o poder ser
Força mulher!

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Contra A Parede





Estou contra a parede
E é bem difícil pensar
Eu tenho muita sede
São meus gritos de pesar
Busca paz a alma
Entre trincheiras
Se sente limpo sujo
De pólvora e poeira
Faz de sua palavra reconfortante
Fraude emocionante
Segue armado de crenças
Marcha munido de ofensas
És gentio e sacerdote
O fio da espada do mais forte
Siga a escuridão brilhante
Reze outra blasfêmia arrogante
Exalando esse cheiro de morte
Pode dormir a noite?
Sua babel desabou
Para onde ir se o paraíso queimou?
Aos filhos fica a herança:
A tempestade na bonança

domingo, 4 de outubro de 2015

Piloto Automático






Eu ligo meu computador
Me sinto tão bem
Tenho o poder no cursor
E posso fingir ser alguém
Eu nunca estou sozinho
Mesmo em minhas noites solitárias
É meu deleite enlatado
E amor desalmado
Nunca foi tão fácil
Nunca foi tão fútil
Eu sou um número
A chave serial
A imagem borrada
Na tela dourada
A virose pestilenta
Da apatia opulenta
Sejamos práticos
Modo piloto automático
Ligado
Pausa nas ofertas
Nas insones descobertas
Posso resgatar princesas
Ou chafurdar em safadezas
Logado em meu domínio
Sou um punhado de caracteres
Invento afazeres
E esqueço meu declínio
Nunca fui tão versátil
Nunca fui tão inútil
Sou código de barras
Em boa resolução
O bug em seu Byte
O Hack em seu site
O poder onipresente
E presença ausente
Sejamos sistemáticos
Modo piloto automático
Ligado
Tenho tantos comandos
Que serão usados sem demora
Basta um simples click
E você vai embora.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Mediocridade



Tão adestrada
Tão prostrada
Tem a vaidade que a sujeita
Sem predicados
Tão dedicada
Pior mancada
És rubor ensaiado
Num cinismo sincronizado
Diva de um paraíso arruinado
Perambula em afetos coreografados
Tediosa sobriedade
Musa da mediocridade
Tão Plena
Tão obscena
Cobre-se de méritos
Mas mal amarra seus sapatos gastos
Cobra criada
Presa afiada
Diz brilhar como uma estrela
Mas se apaga como a chama de uma vela
Diz ter a nobreza do jasmim
Mas jogou lixo no próprio jardim
Slogan de uma sociedade
Modelada em mediocridade